A produção artística de Nadira Yanez integra materiais do cotidiano, como arame, lã, cerâmica e gesso, na criação de objetos e desenhos que transitam entre o bidimensional e o tridimensional. Esses elementos, muitas vezes contrastantes em textura e maleabilidade, compõem obras que desafiam a estabilidade, permitindo múltiplas possibilidades de reconfiguração, como se estivessem sempre em transformação. Os trabalhos evocam uma sensação de movimento contínuo, remetendo a estados transitórios e processos inacabados.
Sua pesquisa é atravessada pela exploração das contradições que permeiam sua prática artística e sua vivência como mulher em uma sociedade patriarcal que oprime e invisibiliza corpos não masculinos. Ao tensionar opostos como fragilidade e força, flexibilidade e rigidez, preenchimento e vazio, Nadira transforma esses contrastes em linguagem visual, explorando um erotismo sutil, mas latente.
As obras de Nadira não se encerram em si mesmas; ao contrário, provocam diálogos e abrem espaço para novas interpretações. A relação com o espectador é parte essencial de seu processo, convidando-o a interagir com as composições, seja no campo da percepção sensorial ou na reflexão crítica sobre os temas abordados. Ao desafiar estruturas fixas e abrir caminhos para novas leituras, sua produção se inscreve em um território de constante ressignificação, onde a arte se torna um meio de questionamento e transformação.
Nadira Yanez (1995, Santiago, Chile. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil). Bacharel em Design, Senac Santo Amaro (2018). Exposições coletivas selecionadas: Futuro do presente, presente do futuro, Plataforma online gerida pelo coletivo Jornalistas Livres, São Paulo, Brasil (2020); Técnicas para encarar abismos, Espaço Cratera, São Paulo, Brasil (2022); Toró, Condô Cultural, São Paulo, Brasil (2023); Cama de Gato, São Paulo, Brasil (2024); Fenda, Condô Cultural, São Paulo (2024). Residências: Mirante Xique - Xique, Igatu, Brasil (2024)